sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O que é o COSO?

COSO (Committe Of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission)

fonte: www.tcu.gov.br


A)     Contexto histórico

Segundo o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF (BACEN, 1987), em 1985, nos Estados Unidos, foi criada a National Commission on Fraudulent Financial Reporting (Comissão Nacional sobre Fraudes em Relatórios Financeiros), também conhecida como Treadway Commission, com o objetivo de estudar as causas da ocorrência de fraudes em relatórios financeiros/contábeis e fazer recomendações para a redução de sua incidência.

Tal Comissão criou o Committe Of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission (COSO) (Comitê das Organizações Patrocinadoras), que estabeleceu critérios práticos, para o estabelecimento de controles internos e para avaliação de sua efetividade.

Segundo definição do relatório de Gerenciamento de Riscos na Empresa – Estrutura Integrada da AUDIBRA, o COSO é um modelo conceitual para o gerenciamento de riscos corporativos, proporcionando as diretrizes para a evolução e aprimoramento do gerenciamento de riscos e dos procedimentos para sua análise.

O COSO é formado por representantes da American Accounting Association, American Institute of Certified Public Accountants, Financial Executives Internationl, Institute of Managements Accountants e pelo Institute of Internal Auditors, ao qual está ligado a AUDIBRA – Instituto dos Auditores Internos do Brasil, através da FLAI – Federação latino-americana de Auditores Internos.



B)      Em que consiste

COSO I

De acordo com o Tribunal de Contas da União, em 1992, o Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission – COSO publicou o guia Internal Control - integrated  framework (COSO-IC ou COSO I), com o objetivo de orientar as organizações quanto a princípios e melhores práticas de controle interno, em especial para assegurar a produção de relatórios financeiros confiáveis e prevenir fraudes.
Nesse modelo, controle interno é definido como um “processo projetado e implementado pelos gestores para mitigar riscos e alcançar objetivos”.  Por sua vez, risco é definido como “a possibilidade de ocorrência de um evento que possa afetar o alcance dos objetivos” (COSO, 1992). Ou seja, para o COSO-IC, o controle interno é um processo que tem por objetivo mitigar riscos, com vistas ao alcance dos objetivos.
O modelo do COSO-IC é representado por um cubo no qual as três faces visíveis representam: i) tipos de objetivos; ii) níveis da estrutura organizacional e iii) componentes.





Os tipos de objetivos que o COSO-IC foca são os operacionais do negócio, assegurar relatórios financeiros confiáveis e assegurar conformidade legal/regulatória. A visão relativa à estrutura organizacional busca atingir a organização como um todo, abarcando unidade, departamento, divisão, etc.  O modelo concentra-se nos seguintes componentes: ambiente de controle, análise de riscos, atividades de controle, informação e comunicação e monitoramento.


COSO-ERM (COSO II)

Em 2004, o COSO publicou o Enterprise Risk Management - integrated framework (COSO-ERM ou COSO II), documento que ainda hoje é tido como referência no tema gestão de riscos corporativos.
Esse modelo, como o próprio nome revela, foi projetado com o objetivo de orientar as organizações no estabelecimento de um processo de gestão de riscos corporativos e na aplicação de boas práticas sobre o tema.
O COSO-ERM é uma evolução do COSO-IC, ou seja, abrange todo o escopo do modelo anterior e incorpora ferramentas complementares, como se vê na seguinte afirmação: “[o modelo COSO-ERM] não pretende substituir o modelo do controle interno [COSO-IC], mas sim incorporá-lo" (COSO, 2004).
De acordo com o COSO-ERM, a gestão de riscos corporativos é:

Processo que permeia toda a organização, colocado em prática pela alta administração da entidade, pelos gestores e demais colaboradores, aplicado no estabelecimento da estratégia e projetado para identificar possíveis eventos que possam afetar a instituição e para gerenciar riscos de modo a mantê-los dentro do seu apetite de risco, com vistas a fornecer segurança razoável quanto ao alcance dos objetivos da entidade (COSO, 2004).

Na perspectiva do cubo do COSO-ERM que trata dos componentes do modelo, observa-se que a atividade “análise de riscos”, anteriormente prevista no COSO-IC, foi substituída e complementada pelas seguintes atividades: identificação de eventos, avaliação de riscos e, por fim, resposta a riscos.


Os cinco componentes do controle interno

Segundo o Sumário Executivo do COSO, o controle interno consiste em cinco componentes integrados:

Ambiente de controle – é um conjunto de normas, processos e estruturas que fornece a base para a condução do controle interno por toda a organização.

Avaliação de Riscos – A avaliação de riscos envolve um processo dinâmico e iterativo para identificar e avaliar os riscos à realização dos objetivos definidos pela instituição. Uma condição prévia à avaliação de riscos é o estabelecimento de objetivos, ligados aos diferentes níveis da entidade.

Atividades de Controle – políticas e procedimentos são estabelecidos e implementados para assegurar que as respostas aos riscos sejam executadas com eficácia.

Informação e Comunicação – as informações relevantes são identificadas, colhidas e comunicadas de forma e no prazo que permitam que cumpram suas responsabilidades. A comunicação eficaz também ocorre em um sentido mais amplo, fluindo em todos níveis da organização.

Monitoramento – a integridade da gestão de riscos corporativos é monitorada e são feitas as modificações necessárias. O monitoramento é realizado através de atividades gerenciais contínuas ou avaliações independentes ou de ambas as formas.


O novo COSO

Fonte: Estrutura Integrada de Controles Internos do COSO (COSO ICIF 2013)_Sumário Executivo


Consideradas as mudanças no cenário coorporativo, influenciadas principalmente pelo grande fluxo de informações, pela inserção de novas tecnologias e pela mundialização, em 2013 o COSO apresentou a versão atualizada do Internal Control – Integrated Framework “e acredita que este material permitirá que as organizações desenvolvam e mantenham, de forma eficiente e eficaz, sistemas de controle interno que possibilitem aumentar as chances de alcançar seus objetivos e adaptar-se às mudanças nos ambientes operacionais e corporativos “ (Controle Interno. Sistema integrado. Instituto dos Auditores Internos do Brasil,2013).

O Coso 2013 está organizado em torno dos 5 componentes de Controle Interno, 17 princípios básicos e 87 pontos de interesse.
A Estrutura foi aprimorada com a ampliação da categoria de objetivos de divulgação financeira, a fim de incluir outros formatos significativos de divulgação, como as divulgações internas e não financeiras. Também inclui considerações sobre as muitas mudanças nos ambientes operacionais e corporativos durante as últimas décadas, inclusive: • Expectativas em relação à supervisão da governança. • Globalização dos mercados e das operações. • Mudanças nos negócios e maior complexidade. • Demandas e complexidades nas leis, regras, regulamentações e normas. • Expectativas em relação a competências e responsabilidades pela prestação de contas. • Uso de tecnologias em transformação e confiança nas mesmas. • Expectativas em relação à prevenção e detecção de fraudes.
Faça o download do sumário executivo do COSO aqui.


Veja mais nos vídeos abaixo:







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